O único consenso até agora na Conferência do Clima de Doha (COP 18), que teve início na segunda-feira (26), é que ninguém está feliz.

A linha chamada de Long term Cooperative Action (LCA), que engloba questões como financiamento climático e transferência de tecnologias limpas, está estagnada e diversos países, incluindo a China, já alertaram que progressos nessa linha são obrigatórios para que haja boa vontade nas outras.

Para piorar, o negociador chefe da Comissão Europeia afirmou nesta quinta-feira (29) que será preciso mais um ano para que o Fundo Climático Verde entre em funcionamento.

“Existem um zilhão de coisas que precisam ser definidas. As negociações provavelmente continuarão por mais um ano antes que possamos ver o Fundo estabelecido. Estou sendo realista. Mesmo um prazo para o fim de 2013 ou o começo de 2014 parece apertado”, declarou Artur Runge-Metzger.

Os grandes países emergentes estão alinhados ao G77, cobrando a liberação de recursos que já foram prometidos e sugeriram um plano para que US$ 60 bilhões sejam disponibilizados nos próximos três anos.

A resposta das nações industrializadas não foi negativa, mas tampouco sinalizou que vão realmente aceitar essa proposta.

“Muitos estados europeus estão enfrentando uma situação econômica difícil domesticamente, mas mesmo assim estamos trabalhando para que até €500 milhões sejam disponibilizados às nações mais vulneráveis para as mudanças climáticas no ano que vem”, afirmou Runge-Metzger.

Diante deste impasse, muitos estão pedindo por uma intervenção do presidente da COP, Al Attiyah, que tem o poder de reorganizar as discussões.

“Este é um verdadeiro desafio para o presidente, que até agora não se destacou ajudando a encontrar consensos. Attiyah precisa se engajar e costurar um acordo no LCA se quisermos progredir nessa conferência”, afirmou Liz Gallagher, analista política da ONG E3G.

Quem não está nada contente com o papel da organização da COP 18 são os Estados Unidos. Em uma reportagem do jornal Times of India, o principal negociador norte-americano, Jonathan Pershing, aparece criticando duramente o país sede sem saber que estava sendo gravado.

“Estamos muito preocupados com a visão do Catar de promover sessões de cinco horas nas quais é discutido de tudo e no fim não se apegar a nada. Se você dividir essas horas pelo número de países que devem falar, tudo o que se consegue são dois minutos para cada um.”

“Não existe muita chance de progresso em uma estrutura dessas. Precisamos encontrar uma maneira diferente para que nossos políticos entendam o que está sendo tratado e qual é o foco a ser dado”, completou.

Ministros

Essa preocupação com a chegada dos políticos é geral. Na próxima terça-feira (4), começa a fase ministerial da COP 18 e as delegações precisam deixar toda a parte técnica encaminhada até lá.

“Se não conseguirmos um texto no LCA, não teremos nenhum progresso na Plataforma de Durban [que trata do novo acordo climático]. Por causa dessa conexão, muitos países acreditam que a COP 18 pode fracassar”, afirmou Gallagher.

Para a comissária de ação climática da União Europeia, Connie Hedegaard, o fundamental é que a COP 18 seja uma ponte entre o Protocolo de Quioto e a Plataforma de Durban.

“Espero que quando deixarmos Doha, estejamos do outro lado da ponte. Uma ponte que será construída pela UE e por outras nações que concordaram com um novo período de compromissos sob o Protocolo de Quioto”, disse.

Já para a negociadora chefe da Costa Rica, Monica Araya, a insistência em se debater Quioto pode colocar em risco o novo acordo climático.

“Estamos perdendo a noção de quanto Durban foi importante na história das negociações. Se não progredirmos na Plataforma de Durban aqui em Doha, corremos o risco de ficarmos sem tempo para terminar o tratado até 2015”, declarou.

O novo tratado climático, que substituirá o Protocolo de Quioto, precisa estar pronto até 2015 para que todos os países possam analisá-lo e aprová-lo em suas assembleias nacionais até 2020.

Por sua vez, a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, chegará em Doha tendo a continuidade de Quioto como a prioridade máxima.

“O que buscamos é que tenha um caminho que assegure Quioto e o compromisso legalmente vinculante dos países envolvidos em relação à redução das emissões de gases de efeito estufa. Muitos países desenvolvidos fizeram sua parte e reduziram emissões, como [os da] União Europeia, que é a favor de um segundo período [do protocolo]. Mas tem países emissores, como Estados Unidos, que nunca ratificaram Quioto”, afirmou Izabella para a Agência Brasil.

“Para o Brasil, esse [o Protocolo de Quioto] é o único acordo que define o compromisso vinculante na questão climática para os países desenvolvidos. Tirar Quioto da mesa deixa um vácuo, até que você tenha um acordo geral”, completou a ministra, que embarca para Doha neste domingo (2).

Quem definiu bem o que está sendo a COP 18 foi Nigel Brunel, da empresa especializada em mercados de carbono OMFinancial.

“Doha não passa de uma disputa amarga entre nações ricas e não tão ricas sobre a mesma coisa de sempre. As nações ricas não são ambiciosas o suficiente com relação às metas futuras e as economias em desenvolvimento não se comprometem apesar de terem as emissões que mais crescem no mundo. Vamos ser diretos aqui: estas negociações não são nada além de uma perda de tempo e todos envolvidos só estão interessados em sua própria agenda. É como um navio com 195 capitães, com todos querendo ir em direções diferentes. É uma piada de mau gosto. Enquanto nós ficamos esperando que burocratas incompetentes apareçam com um plano, o planeta aquece e fica à beira das mudanças climáticas irreversíveis. O que as pessoas falham em perceber, é que todos os nossos ovos estão na mesma cesta – só temos um planeta.”
 
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Por:Fabiano Ávila
Fonte:institutocarbonobrasil
Data: 30/11/2012
 
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