Na principal padaria da cidade, atendentes se revezam com panos e vassouras tentando evitar que a poeira fina e seca que impregna o ar domine o piso, balcões, mesas e cadeiras. O pó gruda na pele, no cabelo, invade os olhos, machuca as narinas. O trabalho não tem fim. Cada veículo que passa pelas ruas, todas de terra, levanta nuvens da mistura cor de terra amarelada. O ir e vir de picapes e motos é constante, assim como o de caminhões, muitos dos quais carregados de toras gigantes recém-cortadas em estradas vicinais que rasgam a região.

Mais conhecido como 180, por estar a 180 km de Humaitá, cidade mais próxima, o distrito de Matupi assumiu a condição de principal pólo de desmatamento do Amazonas. Levantamento inédito feito pelo site ((o)) eco, com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indica que pelo menos 2.518 hectares foram devastados de janeiro a setembro de 2012, o equivalente a 25,18 quilômetros quadrados ou cerca de 2,5 mil campos de futebol. A estimativa de desmatamento é baseada em dados do Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia (Prodes) e do Deteção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), ambos do Inpe. É possível visualizar a evolução da destruição na plataforma Infoamazonia.org (para acessar o mapa, clique nas imagens abaixo. Passando o mouse sobre as áreas amarelas do mapa aparecem detalhes do desmatamento de 2005 a 2011, as áreas vermelhas mostram o problema de janeiro a setembro de 2012).

Para efeito de comparação, no mesmo período, o desmatamento foi 30% menor (1.773 hectares) em Apuí, município que concentra boa parte das carvoarias da região e que durante as últimas décadas foi o campeão de desmatamento. Apuí também fica na região sul do estado, na margem da Transamazônica, mas, enquanto em Matupi as derrubadas acontecem em um raio ao redor do centro urbano em formação, em Apuí as novas frentes de extração avançam por ramais por vezes bastante distantes da cidade.
Não é de hoje que o avanço do desmatamento em Santo Antônio do Matupi preocupa as autoridades. Há um ano, em outubro e novembro de 2011, uma força-tarefa organizada pela Comissão Interministerial de Combate a Crimes e Infrações Ambientais composta por representantes de diferentes órgãos federais realizou megaoperação na região para tentar conter o avanço das derrubadas, fechando serrarias e madeireiras clandestinas e reprimindo frentes de extração ilegais. Batizada de Guaricaya Matupi, a operação contou com a participação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Ministério Público do Trabalho (MPT), e envolveu um conjunto de forças de segurança que incluem a Força Nacional, a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, além do Exército e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Os efeitos da repressão pontual, porém, foram limitados. Hoje, o desmatamento segue em ritmo acelerado e, mesmo na área urbana, é fácil encontrar serrarias com os pátios repletos de árvores recém-cortados.
 
Espanhol defende prioridade para as notícias na internet
O futuro modelo sustentável adotado pelas empresas de comunicação e a relação entre imprensa e sustentabilidade são destaques nos painéis e debates promovidos pela 68ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).
 
Escassez de água vai atingir 10 bacias mundiais
O relatório da ONU, publicado recentemente, não traz boas notícias, no que toca ao tema da água.
 
União Europeia monitorará emissões do setor marítimo
A União Europeia (UE) vem sofrendo críticas dos mais diversos países, incluindo Brasil, China e Estados Unidos, desde que anunciou que vai incluir, a partir do ano que vem, empresas aéreas internacionais que utilizem os aeroportos europeus no seu esq
 
O Governo do Vietnã estabeleceu uma iniciativa verde, um esforço para ajudar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
Relatórios afirmam Vietnã é o primeiro país em desenvolvimento na região da Ásia-Pacífico para criar de forma independente a sua própria estratégia verde, com o objetivo de mudar para uma economia de baixo carbono.
 
Nova "LISTA VERDE" mostra espécies no Caminho para o Sucesso Conservação
O objetivo da "Lista Verde" é destacar as espécies que são partes prósperas de um ecossistema saudável e vai enfatizar que a conservação é mais do que apenas evitar a extinção.
 
Comunidade Indígena, Tingui Botó recebe ações de desenvolvimento sustentável
Formada por 120 famílias a comunidade indígena Tingui Botó, localizada na Zona Rural de Feira Grande, conheceu as ações de desenvolvimento sustentável
 
Coreanos constroem protótipo de casa com mais de 95 soluções sustentáveis
A intenção é que a residência sirva de modelo para construções ecológicas no futuro.
 
A contribuição da Índia na luta contra o aquecimento global
A Índia é uma das economias que mais crescem na Ásia e também uma das que mais contribuem na luta contra as mudanças climáticas, investindo em energia eólica e no uso de pequenos sistemas solares.
 
23 usinas e 74 reatores nucleares têm risco de tsunami
Mais do que as usinas de Fukushima, eles colocaram abaixo a confiança que restava na energia nuclear.
 
Projeto Brasil Orgânico e Sustentável é apresentado na Bahia
A campanha pretende levar esses produtos para as cidades-sede da Copa do Mundo de 2014.
 
Um lápis que se planta e dá vegetais, ervas e flores
Quando está demasiado curto, este lápis pode ser plantado em casa, no escritório ou na sala de aula
       
É difícil respirar em Santo Antônio do Matupi, distrito localizado às margens da Rodovia BR-230, a Transamazônica, no município de Manicoré, ao sul do Amazonas.
 
Por: Daniel Santini*
Fonte:Oeco
Data: 05/11/2012
 
Matupi torna-se o principal pólo de devastação do Amazonas